Não Basta so Reforma Agraria!
16:58
Não basta a reforma, é preciso uma revolução
A burguesia brasileira não realizou a reforma agrária. Hoje, a burguesia é uma inimiga ferrenha dessa possibilidade, e cabe ao proletariado encabeçar uma luta histórica por essa bandeira. Mas, a nosso ver, é preciso associar a luta pela reforma agrária à a revolução no campo, expropriando as terras do agronegócio e as colocando sob controle dos trabalhadores. Só assim seria possível redirecionar o campo brasileiro para responder às necessidades do conjunto dos trabalhadores, e não aos lucros da burguesia.
A produção deixaria de ser pautada pelas necessidades da exportação e passaria a responder às necessidades de alimentação do povo, exportando o que sobrasse.
Os preços não seriam determinados pelo mercado mundial e nem pela necessidade de lucros das grandes empresas. O resultado seria a redução do preço dos produtos, como o álcool, cujo litro poderia custar menos de um real (hoje esse combustível é produzido por menos de cinquenta centavos). A carne poderia ser vendida pela metade do preço (hoje a arroba, que equivale a mais ou menos 14,6 quilos, é vendida aos atacadistas por 75 reais).
É preciso encarar a necessidade de expropriar o agronegócio. Desviar a discussão para a questão de “terras produtivas contra não produtivas” permitirá à burguesia agrária prosseguir na ofensiva contra a luta pela terra.
Por outro lado, é importante obter o apoio do proletariado urbano para a luta no campo, algo que não se faz apenas com a solidariedade natural entre explorados e oprimidos. É preciso mostrar como a expropriação do agronegócio poderia melhorar a vida dos trabalhadores, com a redução nos preços dos alimentos e combustíveis.
Hoje, a luta do proletariado rural superexplorado é de grande importância. O setor pode assumir o primeiro plano das lutas no campo brasileiro, por sua concentração e grau de exploração. Os trabalhadores rurais podem ganhar uma importância enorme, não só pelas lutas mínimas, mas também porque podem sustentar a batalha estratégica da expropriação do agronegócio, colocando-a sob seu controle.
A luta pela reforma agrária
Esse conjunto de medidas, por outro lado, não significa ignorar ou desconsiderar o anseio pela repartição das terras, incorporado na consciência dos atuais sem-terra. Essa consciência se faz presente também em parte importante do próprio proletariado rural, pela origem recente em camadas de pequenos proprietários arruinados ou que viraram sem-terra. O programa para o campo terá de ser decidido concretamente pelos que nela trabalham. Mesmo uma grande propriedade produtiva deverá ser repartida, se assim entenderem os trabalhadores. Na Revolução Russa, Lênin teve essa postura após a tomada do poder pelos bolcheviques.
Uma proposta de reforma agrária deve ter como meta assentar cerca de cinco milhões de famílias sem terra. O custo para o auxílio imediato a essas famílias é menos da metade dos cerca de 300 bilhões de reais gastos pelo governo Lula para ajudar as grandes empresas durante a crise no início do ano.
Será fundamental assegurar não apenas o direito dos trabalhadores sobre o que fazer com as terras, mas também dar todo o apoio necessário em termos de crédito bancário e tecnologia aos pequenos proprietários. Atualmente, os financiamentos são privilégio da burguesia.
Além disso, é fundamental enfrentar o problema da violência no campo, imposto pelos jagunços das grandes empresas e pela própria polícia. Isso significa exigir a prisão dos jagunços e seus mandantes, que devem também ter suas propriedades expropriadas.
Mas tudo isso implica combater abertamente o governo Lula, o governo do agronegócio. E exigir do MST que rompa com ele que, além de tudo, chama os sem-terra de “vândalos”.
